
O balanço sobre a venda de casas em Portugal em 2024 foi bem positivo. O Instituto Nacional de Estatística (INE) revelou que foram compradas mais de 156 mil casas durante o ano passado, o que representa um aumento de 14,5% face ao ano anterior. Este impulso pode ser explicado pela combinação da descida dos juros com os novos apoios à compra de casa para jovens. Mas também houve um novo agravamento dos preços das casas, tendo subiu 9,1% num ano.
“No ano de 2024 transacionaram-se 156.325 habitações, o que representa um aumento de 14,5% face a 2023. O conjunto das transações totalizou 33,8 mil milhões de euros, mais 20,8% que no ano anterior” e o maior valor desde que há registos contabilizados, revela boletim do INE publicado esta sexta-feira, dia 21 de março. As sucessivas descidas dos juros nos créditos habitação a par da entrada em vigor do IMT Jovem (em agosto) ajudam a explicar este aumento na compra de casas no nosso país.
Observaram-se aumentos quer na venda de casas novas, quer na transação de casas usadas, sendo mais expressiva nas habitações existentes (até porque há falta de construção de habitação nova no país):
- Casas usadas: foram transacionados 124.445 fogos existentes (79,6% do total) em 2024, mais 14,8% face ao ano anterior. Estes negócios movimentaram mais de 24,4 mil milhões de euros (+21,1%);
- Casas novas: foram vendidas 31.880 novas habitações durante o ano passado, representando um aumento anual de 13,4%, totalizando 9,4 mil milhões de euros (+20%).
Foi precisamente na segunda metade do ano, que houve maior dinamismo na venda de casas no país, com o último trimestre a registar 45.214 transações, correspondendo a um aumento homólogo de 32,5% e a uma subida trimestral de 10,5%. Este foi mesmo o trimestre que registou maior número de vendas de casas dos últimos três anos. No final de 2024, “o valor das habitações transacionadas ascendeu a 10,2 mil milhões de euros, mais 41,8% face a idêntico período de 2023”, escreve o INE.
Foram sobretudo as famílias as responsáveis pela esmagadora maioria da compra de casas registada no ano passado: representam 86% do total com 134.540 transações (aumento anual de 15,2%), movimentando 28,7 mil milhões de euros (85% do total). E também 93,7% destas casas foram vendidas a compradores com domicílio fiscal em território nacional, mais 16,2% que em 2023. Já as aquisições de casas registadas por estrangeiros caíram 5,9% num ano (tanto para residentes na União Europeia como fora).
A nível regional, salta à vista que foi a região Norte que reuniu maior número de venda de casas (46.361), seguida da Grande Lisboa (30.162), sendo que juntas representam 49% do total de transações. Mas ao nível do valor do investimento habitacional verifica-se que a Grande Lisboa atingiu um maior peso face ao total (32,2%), do que o Norte (24,8%). Isto significa que as casas na região de Lisboa estão a ser vendidas por preços médios (360.680 euros) quase duas vezes superiores aos valores praticados no Norte (181.080 euros).
Todo este cenário de aumento de venda de casas teve uma consequência: o preço da habitação voltou a subir, tendo mesmo acelerado o crescimento anual. “O ano de 2024 prolongou a trajetória de crescimento dos preços das habitações transacionadas, tendo-se observado um aumento médio anual de 9,1% do IPHab [Índice de Preços da Habitação], mais 0,9 pontos percentuais que em 2023. O crescimento dos preços das habitações foi mais expressivo nas habitações existentes (9,7%) do que nas habitações novas (7,5%)”, concluiu o INE, dando nota que a subida do preço foi de 11,6% no último trimestre, a mais elevada desde meados de 2022.
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